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Diabético Pode Comer Tapioca?

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Ao ser diagnosticado com diabetes, condição que quando não tratada inviabiliza o controle dos níveis de glicose no sangue, que se tornam altos e podem resultar em danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos do organismo, o paciente provavelmente já tem ideia que precisará mudar algumas coisinhas em sua vida.

Isso porque o tratamento da doença exige a adoção de hábitos saudáveis e outras medidas com o objetivo do controle das taxas de açúcar no sangue.

Para tanto, são necessárias medidas como a prática de atividades físicas, a checagem da glicemia, a aplicação de insulina, o uso de medicamentos, o cuidado com a saúde bucal, o controle do estresse, a eliminação do cigarro e a diminuição do consumo de bebidas alcoólicas, conforme a indicação do médico responsável pelo tratamento.

Além disso tudo, o controle do diabetes também exige uma adaptação nas diretrizes alimentares, sendo uma parte importante do tratamento.

Diabéticos podem comer tapioca?

Em relação à alimentação para diabéticos, é normal que apareçam questionamentos e que existem dúvidas em relação a qual tipo de alimento pode ser consumido e qual deve ficar de fora da dieta. E para quem é fã de uma boa tapioca, fica a dúvida: será que o diabético pode comer tapioca?

Para descobrir isso, precisamos entender alguns aspectos da dieta para quem sofre com diabetes. Trata-se de uma rotina alimentar composta por refeições que possibilitam o controle das taxas de glicose no sangue.

Em primeiro lugar, é importante saber que não basta diminuir o consumo de açúcar. É necessário ainda escolher a fonte de carboidrato adequada para as refeições.

O nutriente é responsável por fornecer energia ao organismo e, ao entrar no corpo, é transformado em glicose, causando consequentemente alterações nos níveis de açúcar no sangue. Existem diferentes tipos de carboidratos: os complexos, de absorção lenta e índice glicêmico baixo, e os carboidratos simples, que possuem absorção alta e índice glicêmico alto.

Os carboidratos simples de alto índice glicêmico são absorvidos muito rapidamente, aumentando de maneira acelerada os níveis de glicose no sangue. Já os carboidratos complexos de baixo índice glicêmico retardam a absorção da glicose, fazendo com os níveis de açúcar não sofram picos.

Com essas informações em mente, fica mais fácil entender por que os diabéticos devem dar prioridade aos alimentos que são fonte de carboidratos complexos.

E onde a tapioca entra nesta história toda? Bem, a realidade é que o alimento, que é considerado saudável por não ser composto por glúten, não é muito apropriado para a alimentação de quem possui diabetes. Não significa que não pode ser comido, mas é preciso ter cuidado, especialmente com a quantidade.

O índice glicêmico

Para começar, ela é classificada com um alimento de índice glicêmico elevado – sua taxa é de 115. Lembrando que para ter um índice glicêmico baixo, o alimento deve pontuar até 55, para ser considerado médio fica entre 56 e 69, e caso tenha um índice de 70 para cima, já é classificado como alto.

Portanto, se o diabético comer muita tapioca poderá ter maior dificuldade para o controle glicêmico, tendo em vista que o alimento possui alto potencial para causar picos de elevação nos níveis de glicose no sangue.

A quantidade

Uma tapioca pequena tem cerca de 17g de carboidratos. Isso equivale a 2 fatias de pão de forma ou 2,5 colheres de sopa de arroz branco cozido. Se a tapioca for grande ou mais densa, esse valor de carboidratos pode facilmente chegar a 30-35g.

Então, estamos falando de um alimento que não tem fibras, digere relativamente rápido e tem potencial para ter uma grande quantidade de carboidratos por refeição. Isso significa adeus tapioca por todo o sempre? Não necessariamente. Além da quantidade, os recheios podem fazer da tapioca menos ou mais prejudicial para um diabético.

A questão dos recheios

O alimento pode até aparecer eventualmente nas refeições, desde que esteja inserido em um contexto de um programa alimentar saudável.

Entretanto, isso não significa dizer que o diabético pode comer tapioca todos os dias recheando o alimento com ingredientes como chocolate, mel, leite condensado e batata inglesa cozida e amassada, por exemplo.

Outras opções de alimentos como maçã picadinha, cenoura ralada, tomate, alface, repolho, brócolis, ervilha fresca, aveia, abobrinha, berinjela, espinafre e repolho são mais apropriadas para rechear a tapioca pelo fato de serem classificadas como comida de índice glicêmico baixo.

Melhor ainda se além de possuírem um baixo índice glicêmico, os ingredientes selecionados para o recheio da tapioca forem fontes abundantes em fibras. Isso porque o nutriente limita a absorção de glicose por parte do corpo e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

A quantidade de fibras encontradas em um alimento desacelera o ritmo de digestão de seu amido (carboidratos). É este efeito que justamente abaixa o índice glicêmico de uma comida, favorecendo o controle das taxas de glicose no sangue. Isso acontece com a presença de gordura nos alimentos também.

Caso a pessoa queira incrementar a tapioca com algum tipo de tempero, o ideal é escolher fontes de gorduras saudáveis (monoinsaturadas e poli-insaturadas), como é o caso do azeite de oliva. Alimentos ricos em gorduras trans e saturadas, sódio e colesterol também devem ser evitados por quem foi diagnosticado com diabetes.

Por mais complicado e trabalhoso que pareça diminuir a frequência pela qual consome seus alimentos favoritos, abdicando das comidas mais saborosas, vale a pena seguir corretamente as diretrizes da dieta para diabetes recomendada pelo médico em prol de um bem maior: a manutenção da saúde e o controle da doença, que certamente resultarão em um nível satisfatório de bem-estar.

Dica de horário

Vale lembrar que um bom momento em que o diabético pode comer tapioca e outros alimentos com mais carboidratos (ou carboidratos de maior índice glicêmico) é logo após uma atividade física. O impacto na glicemia será minimizado.

Cuidados importantes

Ao ser diagnosticado com diabetes, procure saber prontamente com o médico responsável por seu tratamento como a sua alimentação deverá ser daqui para a frente.

Além disso, busque auxílio de um nutricionista para montar um cardápio que seja apropriado para o seu caso em particular e peça a ele uma lista com os alimentos que você pode comer e os que deve evitar.

Um acompanhamento individual é importante porque existem diferentes vertentes da diabetes (tipo 1, tipo 2, gestacional) e o profissional poderá levar em conta aspectos específicos da sua vida como rotina de trabalho, preferências de alimentos e disponibilidade de tempo para cozinhar, tornando a adaptação ao novo estilo de vida mais fácil.

Além disso, ele poderá explicar melhor como funciona a dieta adequada e ensinar a escolher sozinho os alimentos apropriados.

Dica Extra

Embora a tapioca seja um alimento de alto índice glicêmico (que eleva a glicemia muito rápido), é possível incluí-la na dieta de um diabético. É só seguir algumas dicas para diminuir a carga glicêmica dessa refeição:

  • Você pode adicionar fibras na massa da tapioca, como chia, farinha de coco e farinha de maracujá.
  • É recomendado recheá-la com ingredientes ricos em proteínas, fibras ou gorduras boas, como pasta de amendoim, ovo mexido, tofu, guacamole, atum ou frango desfiado, creme de cacau com avelã sem açúcar, rúcula com tomate e azeite, entre outros.

Com essas dicas, o carboidrato da tapioca vai ser absorvido lentamente e, assim, poderá fazer parte de uma dieta saudável para diabéticos. Vale lembrar que a tapioca tem vários benefícios!

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Fonte: Dra Patrícia Leite – Mundo Boa Forma

 

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